Cinematics em The Witcher 3



Cinematics é um termo utilizado em vídeo games, particularmente quando nos referimos a scripted scenes, e por vezes também usamos o termo cutscenes, quando falamos dos elementos estritamente narrativos. Esse recurso tem sido amplamente utilizado em jogos que valorizam storytelling ou que se apoiam na narrativa como pilar de sustentação do gameplay. O aumento significativo das capacidades gráficas proporcionado pelo hardware dos consoles da última geração tornou possível o emprego de texturas de alta qualidade e de novas técnicas de iluminação, resultando em cutscenes mais imersivas, e isso se traduz em personagens com aparência cada vez mais próximas de uma pessoa de carne e osso, com efeitos óbvios para um estilo narrativo que se apoia num certo grau de realismo gráfico capaz de transmitir, por meio da semelhança com o mundo real, todo espectro de carga emotiva que um personagem 3D pode tornar evidente diante de uma câmera virtual.



The Witcher 3 é talvez o jogo que encanta mais pela forma com que faz a apresentação de suas cutscenes, tanto que não é exagero comparar algumas cenas presentes no jogo com as cenas dos melhores filmes produzidos em Hollywood, especialmente aqueles dirigidos pelo aclamado diretor Quentin Tarantino. A comparação é justa e mais do que apropriada, especialmente em cenas que se passam em ambientes fechados, a exemplo da cena que se passa na taverna de White Orchard, que mostra a reação dos moradores dessa vila ao perceberem a entrada de dois witchers na já citada taverna, outro exemplo é o diálogo entre é a cena que se passa durante o diálogo entre Geralt e o Bloody Baron, outra vez, num ambiente a portas fechadas. Nos dois exemplos citados, o sistema de câmeras do jogo se comporta de maneira bem parecida com a câmera de Tarantino. Tomadas amplas, quadro fixo, cortes suaves e retomada de cena sempre recaindo num plano estático, características de cena que criam um certo tom intimista, levando o espectador a um maior envolvimento e uma identificação maior com as emoções vividas pelos personagens da trama, incluindo também os vilões, a exemplo do general Hans Landa em Bastardos Inglórios, que embora seja um vilão, consegue angariar um certo grau de simpatia do espectador, graças à maneira intimista com que suas cenas são construídas. No jogo The witcher há uma construção de cenas que permite ao jogador se aproximar dos aspectos mais íntimos da alma dos personagens. É visível a fúria do capitão Peter Saar Gwynleve ao receber podres das mãos do representante dos aldeões de White Orchard, como também é quase palpável a desfaçatez do Barão ao se fazer de desentendido no momento em que Geralt o interroga a respeito dos sinais de violência presentes no quarto onde ele dormia com a esposa, que agora está desaparecida. A riqueza de emoções demonstradas em cada cena torna a narrativa muito mais convincente, graças ao estilo de cinematics adotado pela direção de arte da desenvolvedora do jogo. De todos os aspectos que qualificam The Witcher 3 como um dos melhores jogos de todos os tempos, na minha opinião, o componente cinemático do jogo é indiscutivelmente o caviar dessa obra de arte na forma de vídeo game.  

Taverna em White Orchard - The Witcher

Taverna no filme Bastardos Inglórios de Tarantino


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Instalando Ubuntu na Máquina Virtual

Python para noobs!